Relato sobre um caso de inclusão que tive em minha turma que lecionava no ano de 2001.
No ano de 2001 eu dava aula para duas turmas de pré-escola, o que hoje equivale ao 1º ano do ensino fundamental de nove anos. Naquela época ainda se falava pouco em inclusão, na escola em que eu trabalhava tínhamos poucos casos, se não estou enganada eram apenas dois casos em 600 alunos.
No segundo semestre a diretora me chamou em sua sala e perguntou se eu estava pronta para encarar um desafio, se aceitava receber um aluno especial em minha turma. Disse que sim então ela me disse que o aluno M. era deficiente visual e vinha de uma cidade do interior de Sta. Catarina. Perguntei se eu teria algum curso ou algum preparo para atendê-lo e ela disse que em breve estaria recebendo a visita da Secretaria de Educação e de de uma professora que o atendia em outro espaço.
O aluno M. foi marcante em minha vida profissional. Fiz uma entrevista inicial para saber sua história com sua irmã, uma jovem de 19 anos, com quem ele morava há pouco tempo em Novo Hamburgo. M. nasceu cego. Sua mãe e seu pai tinham diabetes e haviam falecido. O pai, há menos de um ano e a mãe logo após o parto. A irmã me relatou que eles levaram um certo tempo para perceber sua deficiência, por volta dos 8 meses.Nesta época eu estava grávida e fiquei muito impressionada com aquela história.
Então voltei a sala de aula e conversei com a turma preparando-os para receber o novo colega. Eles fizeram muitas perguntas como; Por que ele era cego? Se ele voltaria a enxergar? Como iriam brincar com ele?
Lembro-me bem do seu primeiro dia de aula. Os colegas o receberam muito bem, se apresentaram um a um e contaram nossa rotina. Fui me informar de como deveria conduzi-lo. Ensinei aos coleguinhas como deveríamos caminhar com ele, dando-lhe o braço e ficando um pouco a frente para dizer se tinha degraus ou irregularidades no chão.
Todos queriam brincar com ele, e juntos aprenderam a respeitavar o colega novo. Pedi que sempre o chamassem pelo nome, evitando apelidos. M. gostava de brincar com carrinhos, com massinha de modelar, de futebol. Fazia chute a gol com uma bola com guizos, desenhava com tinta, giz de cera, ouvia histórias... As semanas foram passando e eu fui me angustiando pois percebia que a turma cresceu muito estava aprendendo a respeitar o colega mas eu não sabia como trabalhar com ele, quais habilidades desenvolver, como seria trabalhar com braile...
O tempo foi passando e eu aguardava a visita da professora que viria conversar comigo sobre como atender melhor aquele aluno. Passou um mês, dois meses, o fim do ano chegou... Até hoje estou a espera de auxílio para melhor atendê-lo...As coisas que descobri sobre crianças com deficiência visual, foi por conta própria ou em parceria com equipe diretiva e os colegas. Fiquei me questionando se aquele aluno estava realmente sendo incluído ou era apenas um aluno "ouvinte" na escola. Tenho certeza que a turma aprendeu muito com ele, mas será que estávamos preparados para dar -lhe o atendimento que ele merecia?
No ano seguinte ele foi matriculado numa turma de 1ª série onde iria se alfabetizar, a turma teve número de alunos reduzido e a professora foi orientada a alfabetizá-lo em braile.Ela utilizou material de sucata como caixas de ovos e bolinhas para fazer as letras em relevo.
Eu então entrei em licença gestante e quando voltei fiquei sabendo que ele havia ido embora com a irmã para Sta. Catarina. Não sei mais nada sobre o M. que hoje deve ter por volta de 13 anos. Espero que em seu caminho tenha tido escola com recursos de acessibilidade e que agaranta a continuidade de seus estudos, assim como professores empenhados em buscar um atendimento de qualidade a ele e que não apenas esteja na escola para dizer que está na rede regular de ensino.
REFLEXÕES ATIVIDADE 2
Trabalho numa escola de periferia de Novo Hamburgo, onde os alunos são muito carentes. A escola tem um total de 696 alunos, de primeiro ano de nove anos até quinta série de oito anos.
Nosso grupo tem 22 professores, mais 6 professores que fazem parte de um projeto chamado Mais Educação com verbas do governo federal e atendem alunos extra-classe.
Conversando com a orientadora sobre nossos alunos de inclusão, fiquei sabendo que embora a escola tenha 34 alunos ditos inclusão, apenas um pode ser legalmente chamado de inclusão, pois é cadeirante teve paralisia cerebral ao nascer, este menino frequenta a AACD.
As outras 33 crianças não tem um laudo médico que justifique suas necessidades educacionais. Estas crianças frequentam a Sala de Recursos com uma pedagoga, que realiza trabalhos diferenciados com jogos pedagógicos ealgumas atividades dirigidas, para ajudar na aprendizagem e também fazer com que estas crianças se exponham mais, seu lado emocional, suas angústias, seus medos, onde os alunos tem maior liberdade de expressar-se em todas as suas necessidades.
A Sala de Recursos está embasada de acordo com uma lei de inclusão, onde prevê atendimento diferenciado à alunos com necessidades educacionais. Mas a partir das leituras feitas,é possível perceber uma larga distância do que temos nas escolas como trabalhos diferenciados, professores qualificados, e profissionais para trabalhar com qualidade com estas crianças. Por enquanto seus direitos de alunos inclusivos se dá apenas pelo esforço da escola que tenta sanar as deficiências do espaço físico do ambiente escolar e boa vontade dos professores que mesmo sem muita qualificação, conseguem realizar trabalhos maravilhosos com estas crianças. Incluindo-as num ambiente escolar saudável e vendo estas crianças progredirem serem felizes com seus colegas, sendo respeitadas e mais que isso sendo amadas.
Unidade 3:
Na rede municipal de ensino do município de Novo Hamburgo, os alunos que necessitam de atendimento especializado são atendidos na escola (sala de Recursos) e ou fora dela em espaços especialmente preparados para este fim como:
*NAP (Núcleo de Apoio Pedagógico):
Neste espaço os alunos recebem atendimento de Psicóloga, Psicopedagoga, Psicomotricidade relacional, Dançaterapia, Fonoaudiologia, Sala de Recursos para Deficientes Visuais, Brinquedoteca.
*CAPS I: (Centro de Atendimento Psicosocial Infantil)
Neste espaço os alunos recebem atendimento de Psicólogo, Psiquiatra, realizam grupos de adolescentes, oficinas.
*Feevale:
Na Feevale, alunos da rede são atendidos por alunos (estagiários) dos cursos de Psicologia, Fonoaudiologia, este atendimento é realizado na própria instituição ou fora dela,(núcleos).
Equoterapia:
Na localidade de Lomba Grande os alunos tem a possibilidade de participar de sessões de equoterapia, sem custo, uma vez por semana são buscados na escola por um ônibus e vão até lá acompanhados de um professor ou familiar.
Estudo de Caso
O aluno Vitor está frequentando a escola pela primeira vez. Está no primeiro ano do ensino fundamental de 9 anos. Desde o início do ano letivo percebo que tem dificuldades ao se expressar verbalmente, graficamente e parece não entender o que se fala com ele. Tenho observado com frequencia para ter mais dados e entender de que tipo de inclusão, se trata. Nas atividades diárias preciso repetir inúmeras vezes para que entenda coisas bem simples como por exemplo: as cores, guardar os materiais.Um fato que me chamou bastante atenção foi quando em determinado dia ele se machucou e precisei telefonar para a mãe, pedi então que dissesse o nome dela e ele não sabia.
Vitor ainda não escreve o nome mesmo com muita insitência da professora desde o mês de março, e sequer consegue copiá-lo da ficha da chamada que é usada diariamente. Também não identifica quantas letras tem seu nome ou sequer sabe dizer a idade sendo que mostra os dedos mas não sabe o que significa "uma mão cheia mais um". É preciso repetir e explicar individualmente a ordem de alguma atividade várias vezes e ainda assim não corresponde ao esperado.Distrai-se muito facilmente, nas historinhas, na informática, durante um filme...nada prende sua atenção por muito tempo. Inicialmente cogitei que ele tivesse problemas auditivos pois fala gritando, emite sons que dificultam seu entendimento, mas ele atende quando solicitado mesmo se estiver longe ou de costas, então venho descartando esta hipótese. Várias vezes preciso pedir que repita o que falou para poder entendê-lo. Em relação aos colegas está bem defasado nas atividades. Não consegue organizar-se para realizar trabalhinhos,como pintura, colagem, rasgadura, sua produção gráfica é bem pobre e só agora está começando a dar forma a figura humana. A situação familiar parece ser bem estável. Vitor mora com os pais e um irmão menor, a casa é bem simples mas muito limpa e organizada o que contrasta um pouco com sua aparência pois frequentemente anda com roupas sujas, um pouco desleixado. Ainda estou observando-o em breve colocarei mais algumas contribuições sobre seu caso.
Unidade 6:
- Comportamentos observáveis na escola sobre:
- relacionamentos: com professores/as, funcionários, colegas, outros;
- questões de aprendizagem, ;
- movimentos para a inclusão da escola (avaliação, acessibilidade, adaptações curriculares, serviços de apoio);
- movimentos para a inclusão do aluno; e
- envolvimento da família no processo de inclusão escolar.
O aluno em questão, está na escola pela primeira vez, foi a creche dos 2 aos 5 anos e a mãe relata que sempre teve bom relacionamento e que nunca chamaram ela a escola para pedir mais informaçoes sobre seu filho.Lá na creche, segundo a mãe dava-se bem com todos. Hoje na escola apresenta um bom um bom relacionamento em geral, embora tenha que chamar sua atenção pois tem brincadeiras agitadas com os colegas e acabam por vezes se desentendendo. Durante as tarefas em que tem dificuldades os colegas e dispõe a ajudá-lo. É um aluno muito distraído, com dificuldades de concentração e de ficar muito tempo realizando a mesma atividade. Continua sem demonstrar interesse para realizar as atividades apresentando contribuições bem limitadas, não compreende o que a professora ou os colegas explicam. Sua noção de quantidade está ainda em construção, quando trabalhamos com contagem de material concreto tem dificuldade em contar ordenadamente. Ainda não consegue copiar nem o nome de uma historinha que fora trabalhado do quadro para seu caderno. Não consegue organizar-se sem a ajuda da professora ou dos colegas.A escola tem buscado a participação e o envolvimento da família, buscando fazê-los compreender que o menino é diferente, que necessita de uma avaliação de profissional e solicitamos que converse com pediatra para que o encaminhe a uma avaliação neurológica, a fim de que possamos ajudá-lo e entender qual seu grau de dificuldade de aprendizagem escolar. Além da orientação aos familiares, a escola também orienta e acompanha o aluno, proporcionando atividades iguais aos demais colegas e em outros momentos diferenciadas. O aluno, faz as mesmas atividades aplicada a turma, e para uma melhor compreensãoa professora o acompanha mais individualmente em algumas atividades. O menino está aguardando ser avaliado pela Sala de Recursos que está temporariamente sem professora, mas deverá frequentar no segundo semestre. De acordo com a supervisora pedagógica, a família foi chamada na escola e colocamos a importância desta avaliação médica, para uma avaliação escolar adequada. A mãe mostra-se mais flexivel , e prometeu levar o menino agora no período das férias de inverno mas percebe-se que ainda encontra dificuldades de aceitar que o filho é diferente.
Unidade 7
Avaliação:
a) Que aproximações existem entre as idéias trazidas nos textos sobre avaliação e seu estudo de caso?
Ao tentar compreender as idéias contidas nos textos sobre avaliação interligando-as com o estudo de caso, busquei conhecer como se dá este processo de inclusão, de um aluno necessidades educativas especiais, respeitando as diferenças e especificidades de suas partes.
b) Quais as contradições em relação ao que foi observado?
Infelizmente existem muitas contradições entre o que está na lei e o dia a dia de sala de aula com a educação inclusiva, de acordo com o Regimento da Escola existe uma sala de recursos com a finalidade de atender os alunos portadores de necessidades especiais, conduzida por um professor especializado, ele deve complementar atendimento educacional realizado em classes comuns e diagnosticar a realidade educacional dos alunos portadores de necessidades educacionais especiais, identificar a melhor forma de atender às necessidades educacionais e seu processo de aprender. Deve ainda complementar o atendimento educacional realizado em classes comuns da rede regular de ensino e diminuir as dificuldades de aprendizagem, porém estamos no mês de junho e este aluno sequer foi avaliado por outro profissional.
c) Como é feita a avaliação do sujeito da pesquisa durante o ano letivo (parecer descritivo, por exemplo)?
A avaliação do aluno destina-se a oferecer um diagnóstico, contendo elementos para tomar decisões sobre a forma de conduzir o processo ensino-aprendizagem. Essa avaliação é realizada através da avaliação diária do professor da turma e de outros professores que os atendem durante os projetos, estes instrumentos validam o processo e os resultados do fazer educativo, possibilitando a formação do juízo e a tomada de decisões para a melhoria da prática educativa. Esses resultados são expressos trimestralmente, através de parecer descritivo individual e da turma.
d) Essa avaliação dá conta das possibilidades e competências do sujeito observado?
Entendo que sim, pois além da professora regente da turma, os outros professores têm feito um parecer descritivo geral, e um relatório de cada projeto, onde descrevem as dificuldades do menino em acompanhar o restante da turma.
Comments (8)
Caroline Bohrer do Amaral said
at 11:16 am on Apr 19, 2009
Oi, Fabi! Agora consigo comentar, sim. Bjs
Maria del Carmen Cabrera Martins said
at 9:10 pm on Apr 20, 2009
ola
Maria del Carmen Cabrera Martins said
at 9:15 pm on Apr 20, 2009
Fabiana, tem varios recursos para trabalhar com deificientes visuais, uma delas é o braile e o outro é o dosvox, programa gratuito para o computador. Com certeza deste o começo de inclusão para o teu aluno, pois ele ficou inserido na sala de aula contigo e com os colegas, o primeiro contato é primordial e o dele foi excelente.
Abraços
Maria del Carmen
liliana said
at 8:14 pm on Apr 22, 2009
Oi Fabi
que relato interessante!
sabes se esse trabalho com sucata para alfabetizacao em braille foi continuado pela tua colega? ela teve algum tipo de formação para isso?
lili
liliana said
at 9:13 pm on May 12, 2009
Fabi
no teu relato comentas que existem 33 alunos que não tem laudo médico...queria te esclarecer que não é necessário existir um diagnóstico para que o aluno tenha necessidades especiais e seja considerado de inclusão. Podes nos contar mais sobre esses casos? O que pensas sobre essa questao do diagnóstico? na tua opinião deveria ser obrigatório? ele acrescenta ou ajuda de alguma forma?
fabipgarcia73@... said
at 11:13 pm on May 19, 2009
Em conversa com a orientadora ela citou a ausência destes laudos. Entendo que ela se refere a ausência deles, para nos orientar melhor, para termos um diagnóstico mais preciso das dificuldades destes alunos. Não creio que seja imprescindível que o aluno tenha um diagnóstico e sim que, quanto mais informações tivermos sobre ele, melhor. Acho importante que se crie uma rede de atendimento a esse aluno, onde os professores e os outros profissionais que o atendem possam estar fazendo trocas. Abraços.
Maria del Carmen Cabrera Martins said
at 9:30 pm on May 26, 2009
Olá, Fabi, sabes informar porque o aluno entrou na escola só agora?,não sabia o nome da mãe ou esqueceu?, tentaste preguntar novamente o nome da mãe se ele se lembrava?
Abraços
Maria del Carmen
liliana said
at 9:47 pm on Jun 24, 2009
Oi Fabi
como esta indo tua observação? estas precisando de alguma orientação?
abraços
lili
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